Há 8 meses (completos no dia 10/04/2016), eu me submeti à cirurgia Bariátrica... E vou falar, Não é NADA Fácil!
Não é fácil fazer o cérebro entender que você não pode comer mais como comia antes... Não é fácil ter Entalos, Dumpings, Fraquezas, Tonturas, Queda de Cabelo, ficar pelancuda... Não é fácil ouvir os experts by Google de Bariátrica perguntando: “Você pode comer tudo isso?” – “Olha! Você vai por sua cirurgia à perder!” – “Você não pode açúcar, você não pode isso, você não pode aquilo”...
Não é fácil passar em vários profissionais, fazer uma quantidade exorbitante de exames - alguns muiiiito doloridos, como por exemplo uma gasometria, onde tem que tirar o sangue da sua artéria, para avaliar a possibilidade de você ter uma trombose - para poder colecionar laudos da clínica, da nutricionista, da endócrino, da psicóloga, da pneumologista, da fonoaudióloga, da fisioterapeuta, da psiquiatra, da cardiologista, etc... Não é fácil deitar numa mesa de cirurgia, e não saber se vai voltar para poder criar seu filho... Não é fácil fazer 21 dias de dieta líquida, 14 de dieta pastosa, 14 de sólida branda e o resto da vida de Reeducação alimentar, para NÃO BOICOTAR a cirurgia... Não é fácil se ver emagrecendo, mas as marcas da obesidade ficando sobre você como forma da pele que tá sobrando... Não é Fácil!!! E eu falo, tem que ter muita cabeça firme para não enlouquecer e não entrar em depressão numa situação dessas...
Mas o que leva alguém à se submeter à uma cirurgia dessas! Não estou falando de alguns “porra lôca” que ACHAM que esse é o caminho mais fácil e com sobrepeso resolvem pagar a algum médico pra fazer esse tipo de cirurgia... Estou falando daqueles que a obesidade está colocando a vida deles em risco, estou falando daqueles que mal podem se locomover por causa do excesso de peso e também estou falando daqueles que estão sobrepeso, mas têm o indicativo da cirurgia por causa das muitas comórbidades que estão associadas... Estou falando daqueles que buscam a cirurgia para tentar reestabelecer sua saúde...
Para uma pessoa que desde bebezinha é obesa a vida não é fácil! Alguém pode me retrucar, “não é pra ninguém!” Não, realmente não é, mas pros gordos, e falo por experiência própria, no meu caso GORDA desde de criança, a vida é particularmente cruel... Cruel porque você é o motivo das piadas... Cruel porque não é fácil achar roupas... Cruel porque a sociedade não te acha capaz... Cruel porque você não é visto como a primeira escolha, tipo, a garota namora um gordinho, ou vice-versa, e surgem comentários como “Nossa como é que esse cara tá com ela!” ou “O que uma mulher tão bonita viu nesse cara, ele deve ter dinheiro”... É Cruel porque os preconceitos não perdoam nenhum estereótipo: Gordo, Negro, Homossexual, Crente... A Sociedade é CRUEL...
Resolvi escrever esse texto porque ontem vi em um dos grupos que sigo em uma rede social, um Antes e Depois do Leandro Hassun, que diga-se de passagem, está de Parabéns! Muito Gato e Charmoso, mas eu sou suspeita pra falar, porque já achava ele muito charmoso gordinho... Bem nessa postagem, com centenas de comentários, alguns construtivos, mas na sua maioria, desmerecendo a vitória e o mérito do Hassun de ter emagrecido o tanto que emagreceu e se transformou, porque segundo alguns, ele só conseguiu por causa da Bariátrica!!! Tinha um comentário: “Foi Bariátrica... Se ele tivesse perdido o que perdeu com AF (atividade física) e RA (Reeducação Alimentar) eu aplaudiria de pé!” – Putz, pode aplaudir então, porque a Bariátrica é uma Reeducação Alimentar, e é uma RA Forçada...
Já fiz essa analogia para alguns amigos bariátricos, na minha opinião a Obesidade Mórbida (aquela que traz consigo um tanto de doenças e risco de morte) pode ser comparada com uma prisão, quando você faz a Cirurgia Bariátrica você “ganha” uma liberdade condicional, mas você tem que andar na linha! Andar na linha é comer saudável, se cuidar, comer de 3 em 3 horas certinho... Se não, temos um agente de condicional que nos regula, que é a Síndrome de Dumping! Vai... inventa de não comer certinho, inventa de meter gordura e carboidrato em excesso no teu mini-estomago agora... Nosso agente de condicional aparece, e com ele, taquicardia, tremedeira, suadeira, diarreia, principio de desmaio, queda de pressão... E o mais interessante, é que isso não tem cura! Você operou, você mexeu no seu metabolismo... Logicamente, que como um agente de condicional, com o passar do tempo, ele vai ficando menos presente, mas se você andar muito fora da linha ele vai aparecer... e se você insistir, vai acabar voltando pra prisão da Obesidade (estatisticamente pela OMS 5 a 7% dos operados reganham o peso e as vezes até mais)...
Como foi que eu decidi a bariátrica! Já falei disso anteriormente aqui no Blog, mas agora vou contar resumidamente minha história. Em 2008 a empresa onde trabalho, começou a autorizar a Bariátrica pelo nosso plano, que era específico dela... No mesmo período, como pré-requisito para autorizar a cirurgia, criaram o programa Nutrição e Saúde. Quem quisesse operar tinha que passar no clínico, ser encaminhado para a Nutricionista e se com um ano de acompanhamento certinho não tivesse sucesso na perda, aí participaria dos ciclos de palestras e era encaminhado para o cirurgião e depois de uma auditoria, poderia, ou não operar.
Bom, comprei a ideia do Programa, mesmo nessa época não tendo a menor intenção de operar, então em junho ou julho de 2008, comecei o acompanhamento com a nutricionista... Reiterando: Sem intenção de operar. Nesse período o meu preconceito com a cirurgia ainda era imenso. Eu queria o acompanhamento da Nutricionista e da equipe multidisciplinar, mas na minha opinião a cirurgia era para fracos. Na época saí de 125 pra 112kg, por algum motivo, que eu não me lembro mais agora, não sei se falta de tempo, ou por não me priorizar, eu Abandonei o programa!
No final de 2010, depois que perdi meu pai por causa da obesidade, eu voltei pro programa, ainda com a mentalidade de que a Bariátrica era a opção mais covarde! De quem não queria se esforçar... Quando voltei pro programa estava com 134kg... Emagreci 22kg em 9 meses, cheguei a 112kg até julho de 2011, quando tive que ir pra Itália a trabalho... Em um mês na Itália engordei 12kg... Quando voltei da Itália, em setembro de 2011, comecei a pesquisar sobre a Bariátrica, já tinha 30 anos, queria ter filho e com a obesidade não achei que ia conseguir! Então havia decidido que só um milagre me impediria de fazer a Bariátrica em 2012... Nesse período, de fevereiro de 2011 a julho de 2012, fiz terapia com uma psicóloga, mas parei quando estava grávida, por causa do pré-eclampsia não tinha como continuar saindo para ir para as consultas, depois o bebê nasceu e por isso abandonei a terapia!
Casei em dezembro de 2011 pesando (novamente) 134kg... Em janeiro de 2012 estava grávida! Meu milagre tinha acontecido, tomei isso como um sinal de Deus que eu não deveria fazer a Bariátrica, e então Desisti da cirurgia! E depois de ter meu filho, eu achava que não cogitaria novamente essa possibilidade, pois tinha medo de morrer na cirurgia e deixar meu filho.
Mas na minha cabeça, ainda tinha um fantasma que não tinha saído com a terapia: “Painho morreu em 2010, vítima da obesidade. Foi embora com 54 anos, por causa de um AVC... O triglicerídeos dele estava em mais de 600...” – Foi a obesidade que matou meu pai! Eu tinha que fazer algo para não acontecer o mesmo comigo...
Em 2013 eu já tinha voltado para o programa de nutrição e saúde, mas por falta de comprometimento, sem sucesso! Cheguei a mais de 140kg!
Então, no auge dos meus 140kg, em 2014, eu comecei a ter fortes crises de fascite plantar (é a inflamação que ocorre devido a um estresse excessivo – no meu caso, excesso de peso - dessa região. Uma das patologias mais comuns que acometem o pé), acordava com dores terríveis! Não podia pisar no chão de manhã sem chorar de dor (todos os dias), andava mancando por causa das dores! Não conseguia andar muito, minha locomoção estava comprometida. Nem sei quantas seções de fisioterapia por causa da fascite eu fiz! Voltei para terapia, me comprometi com a nutricionista, comecei o Pilates, e pensei que com o Pilates, a Nutricionista e a Psicóloga de apoio eu conseguiria emagrecer... Mas também não tive sucesso! Não emagreci, também não engordei mais, tava estabilizada com 140kg, mas não era o suficiente, eu precisava perder peso... Já estava cansada de acordar com dores, andar mancando (não aguentar andar muito), hipertensa, pré diabética, tendo crises de refluxo, apnéia e ansiedade.... Caiu a ficha que eu talvez não conseguiria chegar a ver meu filho crescer...
Então em janeiro de 2015, ainda com acompanhamento da Nutricionista e Psicóloga, comecei a repensar na cirurgia. Pesquisei, entrei em grupos, vi testemunhos, vi gente que emagreceu e tá saudável, mas também vi quem jogou a cirurgia pelo ralo... Comecei a pensar na Bariátrica como saída para me livrar da Obesidade! Além disso, eu queria ter outro filho e com mais de 140kg não seria possível, seria suicídio!
Em maio do ano passado decidi operar, até o final de junho todos os exames estavam prontos, minha cirurgia ia ser dia 13/07/2015... Mas foi adiada por causa de uma viagem da minha cirurgiã... Operei dia 10/08/2015!!!
Não, não é fácil! Mas não me arrependo... Não sou mais hipertensa, a fascite melhorou muito, tenho muito mais disposição e saúde! Já eliminei mais de 70% do excesso de peso nesses 8 meses de operada! Mas tem o outro lado, tenho fraquezas, dumpings, estou completamente pelancuda, não tenho mais seios, eles foram embora com a gordura... Mas falo para quem está pensando em operar, não é milagre não! Tem que ter muita força de vontade, cabeça no lugar e foco para ter bons resultados! A cirurgia é só o início, para você que antes não tinha disposição para nada, começar sua RA Forçada e fazer suas atividades físicas. Se eu posso dar um conselho a quem PRECISA operar, eu te digo, faça, mas não faça só não! Tenha uma boa Equipe te acompanhando, entenda como equipe: nutricionista, psicóloga, médica, etc... Não é algo que devemos fazer sozinhos!!!!
Em janeiro de 2012, entendi minha gravidez como um sinal de DEUS para eu não operar, de fato, o tempo não era aquele! Eu não estava madura o suficiente! Escuto muitos falando que arrependem de não ter operado antes... Eu não tenho esse arrependimento! Creio que fiz no tempo certo e com a maturidade certa... E espero que minha experiência sirva para aqueles que estão na luta pela saúde!!!!


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